Um livro de um real em um sebo, 239 páginas amareladas e uma pintura histórica de um importante pintor holandês como capa. Isso foi suficiente para que eu levasse Moça com Brinco de Pérola para casa e deixasse que essa leitura se tornasse uma das melhores do ano.

Autor: Tracy Chevalier
Editora: Bertrand Brasil
Páginas: 239
Ano: 2002
Nota5/5
A história começa em 1664, Griet, uma garota pobre e protestante de Delft, cidade holandesa, é contratada por uma importante família rica católica para ser sua criada. Por conta da situação financeira em sua casa desde que seu pai perdeu a visão em uma explosão durante o trabalho, Griet se vê obrigada a ir trabalhar na casa de Vermeer, esse importante pintor, e sua grande família. Com trabalhos árduos e desgastantes, Griet começa a conhecer um outro lado da cidade (e da vida) em que sempre viveu, mas que não conhecia até então. Então, tudo começa a mudar quando o pintor passa a pedir a ajuda de Griet em seu atelier, e a jovem moça, encantada pela arte que não conhecia até dado momento, se coloca no lugar de ajudar seu patrão com o que ele lhe pedir, só tem um problema: isso deve ser mantido em segredo. 

O livro é composto de três partes: 1664, 1665 e 1666. Não há capítulos, mas pequenas divisórias. Em dois dias eu consegui devorar essa história sem nem piscar e precisei de muitos outros para conseguir assimilar tudo que li. Embora seja um livro curto, de leitura fácil e envolvente, os personagens me colocaram em uma situação desconfortável, mas reflexiva. 

Os personagens são bem construídos e tão reais que coloca o leitor em um conflito interno muito grande. Em um momento, Griet parece apenas ser uma moça ingenua que não sabe muito bem o que fazer e como agir, em outro parece que sua mente é tão maliciosa que dá medo do que ela pode fazer. Acho que isso foi o que mais me fez refletir: o livro vai além dos personagens bonzinhos e malvados. Vemos que todo mundo tem seus vícios e virtudes.


Os papeis são tão bem colocados e desenvolvidos, a narrativa tem uma precisão histórica sobre modos, detalhes, costumes, roupas e espaço impressionante, mas ao mesmo tempo não chega a ser entediante. É fácil conseguir imaginar a mansão dos Vermeer, as roupas de Griet, as crianças da casa e até os quadros do famoso pintor sem nunca ter visto.  É como se 1664 tivesse sido mês passado.

Além disso, Tracy conseguiu fazer não só uma bela descrição histórica, mas também artística. Ora, se o livro é sobre esse famoso pintor, é claro que devemos conhecer mais de suas obras. Através dos olhares cru de Griet, que como uma moça simples o mais perto que chegou de arte foi com os azulejos pintados que seu pai fazia, vamos aprendendo junto com ela sobre a arte, como como enxergar um quadro. Tracy, de fato, nos ensina muito.



Sobre a história em si, durante a leitura é possível imaginar o que vai acontecer, mas não como. Achei que o desenrolar teria sido outro, mais rápido, mais intenso do que realmente foi. Mas devo confessar que acabei me vendo aliviada de ter sido diferente, pois refletiu a época, refletiu os costumes. Vivemos hoje em um mundo em que tudo é tão rápido que nos pegamos desprevenidos com um desenrolar mais lento, que reflete uma outra época.

O livro foi uma descoberta maravilhosa. Se você gosta de livros históricos, com boas narrativas, bons detalhes de uma época não vivida e personagens conflituosos e intensos, você vai amar devorar as páginas de Moça com Brinco de Pérola. 

4 Comentários

  1. Amei a resenha, e já vou comprar o livro pq fiquei com vontade de ler ♥ Parabéns pelo blog ♥

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  2. Adorei a sua resenha, vc colocou tanta paixão ao escrevê-la q me vejo inclinada a ler.

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