Ela fechou os olhos e respirou fundo. Os joelhos no chão frio incomodavam tanto que parecia estar sob pregos. Ela tentava se comunicar, mas as palavras saiam vazias e sem sentido algum, e a dor em seu coração foi só aumentando por saber que perdeu a comunicação com seu Pai. Ela sabia, com o passar de cada dia que não dobrava seu joelho, não fechava seus olhos e não conversava abertamente com Ele; ela sabia que a cada dia que deixava isso para depois, para o dia seguinte, para quando houvesse tempo, mais ela se afastaria e mais dificil seria retornar. Mas a menina tinha coração teimoso e insistia em deixar para lá o que a fazia bem, como pode? Mas quem a poderia julgar? Ninguém. 

Então ela repetia aquelas palavras que pareciam vazias, com a cabeça baixa encostada na coberta de sua cama e sentia a garganta se fechar a cada vez que repetia as palavras, sentindo um vazio no peito tão inexplicável que parecia estar sozinha em um outro planeta. E então as coisas vinham aos poucos em sua mente, cada lembrança de todas as vezes que ela sentiu o desejo de conversar com Deus e deixou essa vontade se esfriar por ter coisas mais importantes a fazer. O que mais importante ela teria agora? Nada. Nada mais era importante a tal ponto e ela sabia disso, mas tarde demais, talvez. Pois parecia que Deus a tinha esquecido. Ela foi se esquecendo dele de maneira que Ele se cansou, talvez? Porque Sua presença não habitava em seu coração durante aquela oração? Mas, questionava-se, aquilo era mesmo uma oração?

O nó na garganta foi aumentando conforme sua mente se dividia entre uma oração vazia de "perdoa meus pecados, abençoa meus dias" e pensamentos que rodeava sua mente sobre como permitiu que as coisas chegassem a tal ponto. A dor foi tomando seu coração e ela sentia a culpa encher os seus olhos, de forma que mesmo fechados com total força, as lágrimas conseguiam escorrer. Sua mente foi se esvaziando conforme as lágrimas aumentavam, os pedidos repetitivos e as palavras ditas sem emoção deram lugar a um soluço incessante e cansativo. As lágrimas, que pareciam vir da alma, molhavam seu rosto, suas mãos e sua coberta. Seus joelhos enfraquecidos, cederam e ela sentou ali mesmo, no chão gélido daquela noite. 

Minutos ou horas se passaram, ela não saberia dizer, mas conforme chorava, conforme pedia perdão tantas vezes que perdeu a conta, seu coração foi se aliviando, era como se o peso que carregava por dias e dias apenas tivesse ido embora, e ela conseguiu, enfim, respirar fundo como não fazia a dias. O coração leve que cedia lugar a uma paz profunda e uma alegria que faria qualquer pessoa de fora a achasse completamente bipolar. 

E ela percebeu, que mesmo falha, mesmo fracassando, mesmo caindo, saindo do caminho certo, Deus a buscava. Porque apesar de seus erros, dos seus defeitos, de suas falhas e pecados, apesar de não conseguir entender perfeitamente, ela era sua filha, uma filha amada que valeu a morte na cruz. Ela percebeu, então, que seu Pai não precisava de suas palavras se elas fossem vazias, que Ele era o único capaz de entender suas lágrimas quando não havia palavras para expressar a dor. Ele e somente Ele. 

3 Comentários

  1. Nossa que texto maravilhoso, me sinto tão bem lendo ele não sei explicar sei lá o texto é maravilhoso lindo demais parabéns

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  2. Eu simplesmente amei!!
    Que lindo, descreveu o que vivi há pouco tempo!

    Que Deus abençoe você 💕🌸

    www.daynegromonte.com.br

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  3. Que texto envolvente, não digo envolvimento só do corpo, mas da alma. Consigo materializar cada palavra, contexto, cada sentimento descrito nele! Que Deus continue inspirando vc! Acredito que crônicas deste gênero podem curar pessoas! Beijos

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